O tempo passa na mesma medida que vai devorando cada segundo de vida, como a onda de radiação no epicentro de uma explosão nuclear.
Onde irão os ratos do meu cérebro que se arrepia de susto, do nada abstrato?
Sete da noite em Brasília, e o meu mundo se enquadra e fecha no luminar da tela da TV no canto do quarto. Minha inspiração está com um certo gosto de poeira seca de deserto lunar, estou comprimido entre o vazio presente e as emoções que se afastam uma a uma, acinzentando-se num desolado não.
Nem por isso, deixarei de pensar menos meus pós pores-de-sol espirituais, pois a visão de mim mesmo em relação ao meu próprio destino, certamente me libertará, assim espero. Acabei tornando-me um mestre na arte de esperar pela grande overture que inundará de luz o caminho por onde andam meus guaranás. Sim, é isso, não consigo transcrever minhas ideias. Por isso eu grito essa queixa. Apenas isso.
domingo, 22 de abril de 2012
domingo, 25 de março de 2012
Tarde de domingo, mudança de Verão para Outono, ...só danço o samba, só danço o samba...vai, vai, vai,vai...é a vitrola ajudando. Sonho com um ritual de Santo Daime na estalagem de um velho casarão, bastante antigo, reboco descascado, pessoas conhecidas do dia-a-dia, vontade intensa de vomitar, desarranjo intestinal, um banheiro, please!, ... gosto de erva forte da mata na boca, péssimo, um prisma de sensações,... horror,... felicidade, então.
Assim se vão os sonhos, assim eles vêm, trazer conforto, para um pobre coração. Será que estou exagerando? Os momentos de exagero são prazerosos.
Como é alegre o Verão mudando para Outono!
sexta-feira, 16 de março de 2012
Seres sociais
Segundo
o que se sabe, cientificamente falando, somos resultado da mesma matriz
enquanto planeta e seres, mas devido à vastidão, é bem possível que a
inviabilidade de contato nos faça sozinhos no nosso universo acessível atual. Parece-me
óbvio, então, que criaremos meios de navegar pelas estrelas e os quatro cantos
do universo, da mesma forma tão simples como criamos a Internet.
quarta-feira, 14 de março de 2012
Nascimento
Quando
cheguei a casa, enquanto minha mãe, feliz, mostrava-me a suas amigas e vizinhas
entre sorrisos e lágrimas, talvez devido ao fato de eu ter sobrevivido, por
teimosia, quase asfixiado em meu próprio cordão umbilical, meu pai
comemorava-me, executando na sala, em seu sax inseparável, John Coltrane. Deve
ser por isso que eu cresci, e vivo até hoje, vagando pelo jazz e a boa música em
geral.
quinta-feira, 1 de março de 2012
Romantismos
Nos tempos atuais, tão pulverizados de tecnologias individualistas, eu sinto, às vezes, uma certa nostalgia do romantismo das décadas de 1940 e 1950, onde tenho a impressão que vivi, preservado sob as células de meus pais.
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