domingo, 22 de maio de 2011

A Estrada de Lennos

Era tudo tão bacana, tão perfeito, naquela individualidade universo à dois, e nós estragamos tudo com nossa vaidade vazia, com nosso orgulho ferido. Almas em guerra, logo depois, destruimos tudo , como não poderia deixar de ser...

sábado, 26 de março de 2011

A Estrada de Lennos

A vez do Yin


“Apesar de tudo, aquele que se tornar bom será bom, aquele que não se tornar, não será”


O tempo bate seus tambores, e eu já desconfiava aonde ia terminar, com toda aquela insensatez inconsolável, de certo modo, tão difícil, quase impossível, de contornar sozinho.

Um caralho! Curtição, festa, loucura, um caralho! Dei meu berro lanceiro de levante.

É com esse que eu vou, aterrissar, sair do labirinto, pés no chão, cabeça no lugar, lá vou eu, irmão.

Como um aviãozão sem trens de aterrissagem nem nada, lá vou eu! Vou meter um pouso de barriga mesmo, daqueles bem colhudos. Vou me foder todo mas se tem que ser o fim, que seja por uma causa nobre. Sou um nobre, sempre tive atitudes de nobreza de alma.

Então, dando sequencia a uma história decaída, tal qual decorrera com um avô alcólatra, com quem tive grande interação na infância, parei. A partir de hoje paro de beber, pulo nu, numa piscina cheia de água gelada em pleno inverno pampeano. Eu já tinha lá motivos de sobras para mais do que isso.

Passei também, consequentemente, a me desfazer de mim fumante. Esse era mais outro entrave, palpável, real, a meu objetivo de despertar. Eu sou radical, não é mesmo?

E as drogas? O que são drogas? Aquele pequeno par de muletas que nos leva a acreditar que podemos congelar algo, desaparecer com a realidade difícil, dentro do momento. Nosso passaporte para uma viagem no parquinho da anti-depressão. Passei a passar com o tempo, a aprender a sofrer de cara. Dar a cara e oferecer a outra face. Ser pequeno, mas ser único! Ter coragem.

Assim, depois do primeiro susto no caminho da libertação a alma se acostuma, portanto, a renegar aos demais vícios, é só uma questão de tempo, e no meu caso, eu fui progressivamente me adaptando à vida prazerosa e simples da qual já havia perdido o norte, recuperando a visão de uma existência melhor. Sou testemunha: Um fantasma morreu.

O amor incondicional é fóda. Por isso é raro. Acredito que o amor mude até o comportamento e as manias do próprio diabo. Não há ser que ungido pelo amor verdadeiro não se converta a algo melhor.

Depus as armas, joguei a toalha no tatame diante de um oráculo de amor, vencido por algumas certas palavras, por um relativo período de tempo.

Diante das súplicas de minha mãezinha, baixei a guarda e mudei o rumo de minha história, espírito altivo que sempre fui. Acredito também, que venha de onde vier, uma enxurrada de amor é motivo suficiente, como ocorreu comigo, para demover um ser humano de seus mais autênticos ideais suicidas. No meu caso, não tenho porque desconhecer a autoria de passagem tão emotiva e apaziguadora, que originou-se dessa “santa de casa”, minha mãe, que procedeu uma reviravolta tão definitivamente fundamental em minha vida.

Tá certo: dei trabalho? Evidente. Dificultei as coisas para mim e para meus próximos? Com certeza.

Mas está lá. Aí está o alvorecer de uma nova jornada, de um novo percurso, nessa minha breve e longa passagem pelos caminhos do tempo.

Desse momento em diante, foi como parecer um careta onde a loucura era a normalidade.

Parecer? Mas o que é parecer? Para dentro ou para fora? A presença ou o reflexo? Transitar num ambiente de reflexos quando se é o ser em sua profundidade.

Doloroso e reconciliante. Assim era o novo mundo em que me abracei de corpo e alma. Aqui vou eu mamãe, acabei de me perdoar da loucura de não querer ver, estou vendo mamãe, agora eu vejo, quase consigo tocar fisicamente o amor. O seu, o meu, o verdadeiro.

Nunca mais vão rolar suas lágrimas, por mim, decadente.

Hoje já posso respirar fundo, satisfeito comigo mesmo, e afirmar aos que puderem ouvir:

-Apesar de tudo, o amor comigo funcionou como o melhor tratamento. A terapia caseira foi o farol condutor, o apaziguador do turbilhão infindável que fora um certo trecho maluco, da minha estrada vicinal abandonada.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Conversa inicial ou crossing the universe

Como bola da vez para o fim de semana, tínhamos a praia de Torres, acompanhando uma amiga de minha mulher à época, que tinha um pai, segundo nos contou, bem locão.

Explicando: ele era apelidado de “Guru” e tendo se aposentado de um banco estatal havia alguns anos, foi para essa praia e lá construiu uma pequena cabana na reserva ecológica do lugar, coisa que não durou muito tempo, pois descoberto, foram retirados ele e cabana, morro abaixo, pois “aquilo era área de reserva natural e lá ele não poderia permanecer”, disseram os fiscais do Ibama e da prefeitura do lugar.

Retirado de lá, como dito, alojou-se em alguma pensão ou hotel da cidade e em pouco tempo já havia construído outra morada semelhante a primeira, apenas em num lugar mais recôndito, em meio a bela natureza do lugar. Não deu outra: assim que o descobriram plenamente instalado, expulsaram-no novamente.

O bom “Guru” não se deu por vencido e, apesar das ameaças de punição pelos fiscais do local, percorreu a mesma trajetória da vez anterior, e em pouco tempo já estava reinstalado no majestoso parque. Dessa vez, para incredulidade dos responsáveis pelo lugar, ele cultivou até uma pequena hortinha para consumo de sua subsistência pessoal, tais como, plantação de couves, alfaces, tomateiro, cebolinha, batatas e outras milongas mais.

Ele argumentava obstinadamente, que era irmão daquele lugar e que estava ali para cuidar, como no verso de Raul Seixas, um “carpinteiro do Universo”, zelando pelo que é da natureza, quase mais obedecendo a um chamado do que estando ali por vontade própria. Sua insistência louca era tamanha, que acabou sendo reconhecida pelo próprio Estado, que, cansadas suas autoridades locais de tentar dissuadi-lo de morar no ambiente de preservação natural, nomearam-no “guarda florestal honorável e provisório” da tal Reserva, permitindo enfim, a permanência de seu barraco, assim como dele mesmo, mediante certos afazeres de um bom caseiro, como, orientar os visitantes das trilhas a conservar a limpeza, a portar-se com cuidado no interior da mata, não acender fogo, etc.

Esse era o perfil do pai da amiga com quem iríamos passar o feriadão e só por esses detalhes, já teríamos ficado bastante interessados em ir e conhecer o velho resistente.

Juntava-se a isso, o fato de que o lugar era de uma beleza imaculada, segundo sabíamos, cercado de plantas e bichos exóticos por todos os lados.

A amiga também nos contou que havia próxima a casa, uma cascata incrível da qual jorrava água cristalina e na qual o velho, inteligentemente, instalou um prolongamento com uma mangueira que ia dar num chuveiro improvisado de água fresca.

A Prefeitura até instalou, a poucos metros dos fundos da casa, um banheiro químico importado, presenteado ao município por uma indústria que estava instalando-se no local, proporcionando com isso, melhores condições de estada para seu novo guardião da floresta.

Enfim, ele levava uma vida paradisíaca naquele lugar.

Viver um feriadão, num lugar que tinha tudo para ser maravilhoso, cozinhando num fogão a lenha, improvisando-se quase tudo e iluminando-nos a luz de velas, era um sonho. Sair do sistema, levar a vida mais em contato com a natureza.

Chegamos. O velho era uma pessoa extremamente pura e amável, sua simpatia transbordava por todas as suas palavras, ficou muito entusiasmado com a nossa presença e conseguiu transformar a sua humilde choupana num lugar confortável e agradável de se estar. Ele falava de uma maneira doce e amiga sobre os efeitos do cigarro, que nunca fora de beber regularmente e, que de uns tempos para cá, nem sequer por esporte ele bebia, dedicava-se somente as ofertas da natureza, que eram abundantes naquele lugar, entre outros assuntos ricamente fundamentados com passagens filosóficas. Ele explicava que todos na natureza éramos irmãos, portanto, que devíamos amar e respeitar a vida em qualquer forma que ela se apresentasse, por isso, atacar nosso próprio organismo, com vícios e maus costumes, por si só, já era uma desatenção com a vida de todo o Universo.

Sua filha ficava meio sem graça pelas palavras do velho, imaginado, talvez, que na volta para sua vida cotidiana, todo mundo no local onde trabalhava, ficasse sabendo e pensando que seu pai era um louco. Minha mulher, de boca aberta, parecia estar ouvindo um Lama do Tibete falar e eu, sentia que finalmente encontrara um grande amigo espiritual. Crossing the universe.

Ficamos o tempo todo trocando viagens e, inclusive, lhe disse que eu era seu irmão, pois naquela época eu já desconfiava que todos somos parte do todo, e como tal, estamos interligados, de alguma forma que eu não sei explicar, como numa grande teia universal da existência.

Passadas algumas poucas horas da nossa chegada, ele começou com um comportamento estranho, ou seja, de vez em quando ele se aproximava de mim e dizia: “precisamos subir lá no morro para conversar”, nas primeiras duas vezes eu não dei bola, pois havia uma conversa iniciática entabulada, mas ficava um tanto o quanto culpado, sem saber exatamente por que, com relação àquela atitude dele. Apenas, um tanto confuso com o compromisso de uma conversa que eu imaginava ir além da trivialidade, sorria e respondia que sim, com a devida reverência.

A velha paranóia começou a querer ocupar seu espaço.

Nós traçamos algumas convenções, antes de sair de casa, com relação a nossa anfitriã, e tivemos todo cuidado no sentido de não despertar as suspeitas dela com relação a fumarmos coisas diferentes, porque sabíamos que a mesma, era careta! Então, o que seria? Teria ele alguma bola de cristal para saber o que eu fazia quando estava em casa com minha mulher ou em festas com os amigos? Eu estaria com algum odor diferente, tipo de marijuana?

Eu, com meu lado paranóico e desagregador de pensamentos, comecei a imaginar mil coisas, tipo: "nada é de todo bom", "seria o velho um maluco dissimulado?", "estaria o velho pensando em me empurrar lá de cima?" Pensei até, para meu posterior auto constrangimento, na possibilidade do velho ser gay enrustido. Passavam-se umas horas, e lá vinha ele de novo, saindo do mato e chegando perto mim repetindo: “Nós precisamos subir a trilha do morro pra conversar...”

O medo batia palmas na minha cerca, eu reagia e dizia pra mim mesmo: -Não! Esse é um homem de bem! Ele harmonizou-se com a natureza, não pode pensar essas coisas fétidas de que só eu sou capaz...E fazia tudo para me manter equilibrado.

Próximo a casa havia uma trilha de uns duzentos metros, sulcada na grama, que dava para o alto de um promontório em frente ao mar, que o velho chamava de morro. Eu já estava cabreiro, com o tal “morro”, então nem me aproximava do mesmo, ia para os lados da praia, ou me embretava no mato com as gurias, que passavam também horas fazendo altas experiências gastronômicas naquele inusitado fogão à lenha.

Jantamos. O velho mesmo fez para nós, um estrogonofe de legumes sensacional. Naquela década recém estavam aparecendo os restaurantes vegetarianos, se não me falha a memória, em Porto Alegre, natureba mesmo, só tinha a macrobiótica, que chamávamos de macrô, onde íamos almoçar com os amigos, mais por uma questão de fazer parte de uma sociedade alternativa do que de preservação da saúde mesmo. Ao anoitecer, eu que nunca fui de me mixar por pouca coisa, principalmente se desconhecida, peguei um cigarro, uma caixa de fósforos amiga e em face da lua estar crescente, iluminando razoavelmente o terreno, resolvi subir o tal promontório, em busca do velho e do misterioso assunto que ele tanto precisava falar comigo.

(Primeira parte)

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Quem não acredita ser sua própria luz a fonte da vida, verdadeiramente não crê em Deus.
(místico indiano)

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

AMY WINEHOUSE

Bá, a Amy tem um vozeirão e talento que balança o coreto, mas uma compulsão à vida revoltosa que igualmente balança sua condição de estar viva.
Pois é, parece exagero, mas grandes virtuosos deixaram de estar entre nós, criando, alegrando e emocionando seus fãs, por não segurarem o perigoso cruzamento entre, drogas, vida perdida e sensação de abandono, ou algo assim. É uma grande lástima que, por motivos óbvios, não consigam se apegar à sua própria felicidade, arte e a leveza da condição humana, como nós que os ouvimos, gostaríamos.
De qualquer jeito, tamo junto e misturado, parceirinha!

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

FOGUETE

A vida pode comparar-se a uma nave espacial.
Quando descartamos o primeiro estágio, já nos alçamos à adolescência, quando lá se vai o segundo, somos pessoas adultas e logo maduras, no terceiro estágio somos já com a terceira idade e, finalmente, só nos resta o módulo de aterrisagem ou algo assim, para, por fim, retornarmos à terra de onde saimos.
É de bom alvitre, então, aproveitar a viagem!!!

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Roubo todos os pensamentos que leio, teus
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